A queda vertiginosa do principal fundo de hedge de infraestrutura de IA, a Situational Awareness, pegou os investidores de surpresa em julho. Hoje, o fundador Leopold Aschenbrenner publicou uma carta aos investidores com sua avaliação da situação, admitindo que “decepcionamos vocês este mês. Chegamos mais perto de uma perda permanente de capital do que é aceitável para nós.”
Em apenas algumas semanas, a empresa passou de um dos fundos de melhor desempenho do segmento para uma operação tentando reduzir seu balanço. A desalavancagem forçada foi provocada por um mês desastroso para as ações de semicondutores, enquanto o Nasdaq 100 entrou em correção, levando o desempenho líquido do fundo a -67% no mês.
O The Latent informou ontem que a Situational Awareness havia procurado investidores e credores em busca de novo capital, prometendo abrir novos depósitos em 1º de agosto. Mais tarde, a Citadel interveio para adquirir a vasta maioria da carteira pública do fundo em uma única venda em bloco.
Como resultado, o AUM da Situational Awareness caiu para os US$ 10 bilhões divulgados, ante um pico anterior de US$ 45 bilhões. No entanto, Aschenbrenner observa em sua carta que o fundo ainda acumulava alta de 80% no ano (com base em números não auditados), com as dificuldades recentes reduzindo, mas não eliminando, seu forte desempenho em 2026.
Um dólar investido no fundo logo no início deste ano ainda valeria US$ 1,80 hoje — muito abaixo do pico de US$ 5,39.
A mais recente carta de Leopold Aschenbrenner aos investidores
O comunicado mais recente do fundador da Situational Awareness — que criou a empresa em 2024 após deixar a OpenAI em meio a uma disputa sobre proteção de dados — detalha os mecanismos exatos do quase colapso do fundo.
A empresa dependia de um modelo de negociação fortemente alavancado. Aschenbrenner afirma que a movimentação negativa dos preços e a redução da liquidez entre suas maiores posições em ações, fortemente concentradas em infraestrutura e hardware de IA, tornaram cada vez mais difícil manter o fundo operando dentro de seus parâmetros de risco. Embora o relato de Aschenbrenner enfatize esses fatores, reportagens externas indicaram, ainda assim, que as exigências de garantias dos credores do fundo acabaram contribuindo para a desalavancagem forçada.
Um fator interessante é que o fundo também mantinha posições vendidas em empresas de SaaS não relacionadas à IA, como a Adobe, partindo do pressuposto de que as empresas de IA reduziriam a rentabilidade das empresas estabelecidas. No entanto, muitas dessas empresas apresentaram resultados positivos inesperados; a própria Adobe registrou receita recorde, com alta de 13% na comparação anual, e suas ações fecharam julho com alta de 18,7%. O resultado foi uma pressão sobre o fundo dos dois lados, já que tanto suas posições compradas quanto as vendidas ficaram sob pressão.
Vale destacar que Aschenbrenner não detalha os termos do acordo com a Citadel — na verdade, essa empresa não é mencionada em nenhum trecho da carta. Ele também não inclui detalhes sobre a composição remanescente do fundo, formada principalmente por posições privadas e ainda relativamente opaca. Analistas estimam que a participação da empresa na companhia de IA Anthropic seja de cerca de US$ 5 bilhões, ou aproximadamente metade dos ativos que se acredita ainda estarem em seu balanço.
Embora a carta de Aschenbrenner não acrescente muitas informações que já não fossem conhecidas, uma afirmação importante se destaca: ele sustenta que o fundo não está, na realidade, sendo convertido em um veículo inteiramente privado, como o Financial Times havia informado anteriormente. Segundo ele, a Situational Awareness continuará como um fundo híbrido público-privado, no qual Achenbrenner afirma que quase todo o seu capital pessoal continua investido.
